Motorola Moto G5: a evolução natural – Review

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A Motorola (não me lembro a última vez que a chamei assim) lançou, na última terça-feira (07), o Moto G5 e o Moto G5 Plus. O Moto G5 – aparelho que estive testando nos últimos dias – é o smartphone mais básico da linha. Com processador Snapdragon 430, sensor de impressões digitais, câmera um pouco melhor e – finalmente – 32GB de armazenamento,  é a resposta da Motorola para a linha composta por Zenfone 3 Max e LG K10 NOVO (que também está em testes e ganhará um comparativo, logo menos).

A primeira impressão sobre o Moto G5 é a que ficou pelo restante do teste: as mudanças de design e a similaridade a linha Z são bem-vindas. O aparelho que testei – na cor dourada – é bonito e merece destaque. A versão mais básica do aparelho passa a incorporar recursos que antes só estavam presentes na versão Plus, como o sensor de impressões digitais e os 32GB de armazenamento interno. Além dele, o único smartphone que custa 999 reais e que tem 32GB de armazenamento, é o LG K10 NOVO.

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Moto G5. (foto: Lucas Silva)

A tentativa de gerar ainda mais lucro com a linha G, no entanto, traz um dilema: a crise de identidade entre Motorola e Lenovo faz com que o Moto G5 acabe tentando canibalizar o Vibe K6, que tem o mesmo hardware interno, apesar da Motorola/Lenovo já ter dito inúmeras vezes que vai acabar com a linha Vibe de uma vez por todas. Será que o Moto G5 realmente vale a pena pelo que custa? Confira o review completo abaixo:

Design

O Moto G5 passou por uma repaginada no design. Do modelo do ano passado, só sobrou o nome. O Moto G5 traz uma curvatura muito boa na traseira e, principalmente, um design metálico que não tinha sido visto antes na linha anteriormente. O aparelho está 10 gramas mais leve que a versão do ano passado: são 145 gramas. Ele também está mais fino: são 9.5 milímetros de espessura. Diferente do irmão mais caro – o Plus – a tampa traseira é removível e abriga a bateria de 2800mAh, os dois SIM cards e o cartão microSD.

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Botões. (foto: Lucas Silva)

O posicionamento de botões continua exatamente o mesmo desde 2013: todos os botões estão localizados na lateral direita do smartphone. Na lateral esquerda, não existe nada – nem ranhuras para retirada da tampa traseira. A parte inferior abriga apenas o conector microUSB e um microfone. O topo abriga apenas o conector de fones de ouvido… e, na traseira, você encontra apenas a câmera, o flash com LED único e mais um microfone. O design da se assemelha muito ao dos Moto Z e Z Play.

É importante notar que o Moto G é feito de metal e plástico. Assim como qualquer smartphone, é necessário possuir partes em plástico – ou abertas – para que o aparelho possa ser utilizado com as redes compatíveis. Apenas o centro da tampa do Moto G5 é feita de metal. Todo o resto é feito em plástico, com a mesma textura da lateral do aparelho. A pegada é boa e confortável. A Motorola já disponibiliza – desde o primeiro dia – capas e acessórios para o aparelho. O aparelho também tem nanorrevestimento contra respingos de água.

Tela

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Tela do Moto G5. (foto: Lucas Silva)

A tela do Moto G5 está menor: com 5 polegadas, resolução 1920×1080 (Full HD) e tecnologia IPS, a tela perde no tamanho e ganha na resolução: a densidade de pixels cresce de 401 ppi para 441 ppi. A mesma continua com a tecnologia Corning Gorilla Glass 3, e a Motorola continua enviando um “gerenciador” de efeitos de cores nas configurações, algo que vem ocorrendo desde a linha 2015. O Android 7.0 também traz a redução da terrível luz azul, que acaba por mexer na melatonina do corpo, fazendo com que existam problemas de sono.

Porém, nota-se que, com a diminuição da tela do aparelho, ganha-se espaço no corpo do aparelho, fazendo com que as bordas fiquem ainda mais grossas. Acima da tela, uma característica vista no Moto Z Play: o logo Moto. As bordas parecem estar mais uniformes do que em outros modelos da marca, como o Moto Z. E, mesmo sendo possível ampliar o tamanho da tela sem comprometer o tamanho do smartphone, a Motorola preferiu colocar o logo no topo. O Moto G5 é um dos únicos da categoria a ter tela Full HD.

Desempenho

O Moto G5 possui um processador relativamente controverso: no modelo do ano passado, a Motorola equipou o smartphone com o Snapdragon 617, um processador de oito núcleos Cortex-A53 rodando a 1.5GHz. No Moto G5, a empresa optou pelo Snapdragon 430, um processador bem mais barato e que possui características relativamente reduzidas que o modelo do ano anterior. Além disso, o smartphone também tem 2GB de memória RAM.

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Parte traseira do Moto G5. (foto: Lucas Silva)

A começar pela velocidade no download e upload: o Moto G4 era capaz de chegar a picos de 300Mbps e 100Mbps em download e upload, respectivamente. Com o Snapdragon 430, o Moto G5 consegue alcançar apenas 150Mbps e 75Mbps, respectivamente, uma redução expressiva. A velocidade de memória também caiu de 933MHz, para 800MHz. Ele também não suporta o satélite Galileo e sensores para pedestres, o que já era possível de implementação no processador do antecessor.

O Snapdragon 430 – presente no modelo deste ano – mantém os oito núcleos, mas rodando a 1.4GHz. Ambos os processadores possuem arquitetura 64-bit e núcleos Cortex-A53. O restante das especificações acabam sendo similares ao aparelho do ano passado. A diferença de desempenho não é tão notável – mas é sentida em jogos como GTA: San Andreas e Bully, que demandam mais processamento. O gargalo está no processador e na memória, que são relativamente mais lentos.

Tampa traseira em metal e plástico do Moto G5. (foto: Lucas Silva)

Ainda assim, o Snapdragon 430 possui uma pequena (grande) diferença: a GPU Adreno 505, relativamente mais moderna que a Adreno 405 do Moto G4. Ainda assim, o gargalo no processador não é sentido nas tarefas diárias e corriqueiras, o que é positivo para o uso do aparelho. É uma pena que a Motorola não tenha optado por um processador mais eficiente, de 14 nanômetros. O modelo atual possui o processador de 28 nanômetros. Os concorrentes, como K10 NOVO e Zenfone 3 Max possuem hardware mais polido e não têm problemas para rodar aplicativos mais pesados, consequentemente.

Outro ponto interessante é que o Moto G5 compete de maneira direta com o Vibe K6, irmão postiço do smartphone. Possuindo o mesmo hardware, ambos os smartphones possuem câmeras similares, cores similares, telas similares, dentre outras especificações. A canibalização entre as duas linhas é totalmente evidente, ainda que a Lenovo jure, de pés juntos, que irá matar a linha Vibe mais cedo ou mais tarde. Um efeito similar ocorreu com Vibe K5 e Moto G4, que compartilhavam especificações similares.

Conectividade e armazenamento

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microUSB. (foto: Lucas Silva)

O Moto G5 mantém boa parte da conectividade do modelo anterior – apenas com algumas poucas atualizações: o aparelho possui WiFi a/b/g/n dual-band, WiFi Direct, roteador WiFi, Bluetooth 4.2 com AD2P, LE (low energy) e EDR, GPS com A-GPS e GLONASS, rádio FM e USB OTG (On-The-Go).  Diferente do modelo mais caro, o smartphone não possui NFC e, da mesma forma, não possui o WiFi ac, um protocolo mais novo e mais eficiente.

Nos sensores, a adição do sensor de impressões digitais é o principal destaque do smartphone. O sensor de impressões digitais agora é capaz de substituir os botões virtuais do Android: toda a operação do aparelho é feita a partir do sensor do smartphone. O uso do sensor para controle do sistema, porém, parece ser mais uma utopia do que uma realidade: controlar o smartphone com o sensor é difícil, trabalhoso e complicado de se acostumar. Por sorte, é possível controlar o smartphone com os botões convencionais do Android.

O armazenamento é outro destaque: agora, o modelo mais básico da linha Moto G5 possui 32GB de armazenamento, o que eleva a categoria de R$999: antes, a categoria tinha apenas smartphones com 16GB. Smartphones como o K10 NOVO – que podem ser facilmente encontrados nesta faixa de preço – estão deixando a categoria neste patamar, e a Motorola aproveitou de tal situação. Isso é muito benéfico para o consumidor. Além disso, a memória é expansível até 128GB.

Sistema

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Moto Ações. (foto: Lucas Silva)

O sistema do smartphone é muito similar ao dos outros smartphones da linha Moto: de fábrica, o Moto G5 já possui o Android 7.0 Nougat instalado. O Android instalado no dispositivo já vem com o Pixel Launcher, que foi introduzido no smartphone de mesmo nome, feito pela Google. A Motorola continua com a tradição de colocar poucas customizações no sistema. As únicas customizações são relacionadas ao App Box – loja de aplicativos referente à Lei do Bem – ao conteúdo do aplicativo Moto e outros refinamentos.

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Nougat. (foto: Lucas Silva)

O Moto Tela, por exemplo, agora está um pouco mais colorido, com as mesmas funcionalidades. Conforme citado na parte do sensor de impressões digitais, o smartphone pode ser controlado apenas usando o sensor, substituindo as teclas virtuais do Android e ganhando espaço na tela. Os outros recursos do aplicativo Moto – como o recurso de abrir câmera, lanterna e outras funções por gestos – ainda estão presentes e não perderam espaço.

No restante, o sistema está extremamente  parecido com o Android Nougat enviado pela Google: com refinamentos na parte de bateria, interface e em refinamentos nos aplicativos. As principais novidades incluem, mas não estão limitadas ao Modo Doze aprimorado, a presença de novas configurações rápidas na central de notificações, modo Não Perturbe aprimorado, além de recursos para otimizar a velocidade do sistema e as atualizações do mesmo.

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Tela inicial. (foto: Lucas Silva)

A simplicidade do sistema contrasta com os concorrentes da mesma faixa de preço, que estão repletos de interfaces demasiadamente customizadas e que representam um Android mais poluído, como a UX 5.0 do K10 NOVO e a ZenUI 3.0 do Zenfone 3 Max, mas que trazem recursos mais úteis que o Android puro. E, pasmem: o Moto G5 não roda no último patch de segurança do Android.

Câmera

A câmera do Moto G5 parece muito similar a do modelo do ano passado: com 13MP e abertura f/2.0, ela produz fotos com ótima qualidade durante o dia. A saturação fica na medida, assim como as outras configurações. A presença do modo manual facilita a captura de fotos em cenas mais complicadas: o recurso foi adicionado a partir da linha 2016. As configurações como foco por detecção de fase (PDAF), zoom ativo (permite reconhecimento de QR codes e cartões) e outros ainda estão presentes.

Durante à noite, a câmera deixa um pouco a desejar: a granulação acaba sendo mais evidente que o normal, e é necessário enfatizar o uso do modo profissional para uma foto sem muita granulação. A frontal é de 5MP com abertura f/2.2. Ambas as câmeras podem gravar vídeos em 1080p (Full HD) à 30 fps. Abaixo, você pode conferir algumas amostras feitas com o Moto G5 durante o período de testes, sendo que todas as fotos estão em alta resolução e sem edição:

Bateria

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Bateria de 2800mAh. (foto: Lucas Silva)

A bateria sofreu um leve downgrade do modelo do ano passado para este: dos 3000mAh, o Moto G5 possui apenas 2800mAh. Outro problema grave é a falta do carregamento TurboPower: a Motorola envia na caixa um carregador de 5V e 2A, o que equivale a 10W. Ainda que consiga suprir um tempo bom de carga, ainda não é tão rápido como o carregador de 15W do TurboPower. A duração da bateria, porém, não deixa muito a desejar, ainda com a redução de especificação.

Em um dia comum – com sincronização de emails, uso de mensageiros (WhatsApp), redes sociais e internet WiFi, o Moto G5 consegue chegar ao fim do dia (18h) com cerca de 40 a 30% de carga, e com tempo de tela entre 2h30 e 3h. Com um uso mais intenso, o Moto G5 chega, no mesmo período, com 20 a 15% de carga, e um tempo de tela com diferenciação de 30 a 40 minutos. Todos os testes foram feitos com brilho no médio e sem a ativação do modo economia de energia.

Preço e conteúdo da caixa

O preço do smartphone acaba por ser um bom atrativo: por R$999, o consumidor opta por levar o dobro de memória que a média de mercado, além de levar um sistema já atualizado e o sensor de impressões digitais, o que antes era restrito a modelos mais caros. Ainda assim, o Moto G5 ainda não perdeu o espírito intermediário – portanto, ainda que existam evoluções, ele continua situado como um intermediário e deve ser tratado como tal.

O conteúdo da caixa é expressamente o que já foi visto em modelos anteriores: além do carregador de 10W e do aparelho, existe a bateria de 2800mAh, o cabo USB, o fone de ouvido, a tampa traseira e os manuais. A caixa do aparelho é verde, enquanto a caixa do Moto G5 Plus é amarela, usando tais cores para diferenciação apenas na lateral da embalagem, que agora tem o “Motorola” presente, já que a Lenovo está jurando – novamente, de pés juntos – que irá se reaproximar da marca Motorola.

Moto G5 – Notas e conclusões