Primeiras impressões – Zenfone 3 Zoom

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Anunciado na CES 2017 em janeiro deste ano, o ASUS Zenfone 3 Zoom é um aparelho emblemático por diversos pontos. É o primeiro dispositivo da empresa a chegar ao mercado com câmera dupla, deixando de lado o zoom por ajuste de lentes utilizado pelo Zenfone Zoom, lançado em 2016, além de ser o primeiro a embargar uma bateria de 5000mAh no mercado nacional e por ser o primeiro dispositivo não-explosivo lançado no Brasil com Gorilla Glass 5.

O aparelho também conta com um display AMOLED de 5.5 polegadas de resolução 1080p, 3GB ou 4GB de memória RAM e até 128GB de memória interna. Como processador, temos o consagrado Snapdragon 625, da Qualcomm, mais dois co-processadores destinados às câmeras. Como bônus, é dual SIM  e suporta cartão microSD de até 2TB.

Tudo isso, foi dito pela ASUS durante o anúncio, realizado no ASUS OnBoard 3, mas como ele se sai em uso diário?

Notas

  • Nossas primeiras impressões são baseadas na versão WW_V11.40.86.54, a mesma versão que, na data de publicação deste post, era a última disponível publicamente para o Zenfone 3 Zoom brasileiro;
  • Todas as deficiências sentidas aqui já foram devidamente reportadas para a ASUS, diretamente;
  • O uso do Zenfone 3 Zoom foi feito com apenas um chip SIM, associado a um cartão de memória.
  • Por mais que seja um Hands-On, em alguns momentos, utilizarei informações da ASUS sobre o dispositivo, para esclarecer alguns detalhes curiosos sobre o aparelho.
  • Estive no ASUS OnBoard representando a Rede Cidade, onde trabalho como produtor de conteúdo. Contribuo também com o AmazingTec, ZenLife Brasil e Jornal Correio de Sergipe.

Acabamento e ergonomia

O Zenfone 3 Zoom corrige alguns pontos criticados por usuários do Zenfone 3. O vidro deu lugar para o metal, melhorando a pegada do aparelho, mas o metal usado, mesmo odonizado, acumula com facilidade manchas de dedos, mas nada que chame muita atenção.

O painel frontal lembra bastante dispositivos anteriores da linha Zenfone. Mesmas teclas capacitivas, sem retroiluminação. Mas as bordas diminuíram em prol de uma pegada melhor num dispositivo levemente mais grosso que o Zenfone 3. Toda a parte frontal é coberta por um Gorilla Glass 5 com tecnologia 2.5D. Até aqui, mesmo sem películas ou cases, sem arranhões.

Se a pegada é melhor? Sim, é. Garante mais segurança para fotografia, mas a borda arredondada, quando seguramos o smartphone para fotografar, ao meu ver, não passa a mesma segurança. Pode ser por um fator pessoal? SIM, mas acredito que bordas menos arredondadas passam mais segurança para fotografia, ou a presença de um botão dedicado que funcionasse como ponto de apoio, como era o botão de câmera do primeir o Zenfone Zoom.

O leitor de impressões digitais, mesmo ainda estando na região traseira do aparelho, mudou de posição. Agora está mais acima. Para mim, foi um ponto positivo, ficou mais fácil (não sei se pelo formato, diferente do Zenfone 3 e mais arredondado ou se pelo posicionamento), inclusive, não erro tanto quanto no Zenfone 3.

Software

O Zenfone 3 Zoom foi o primeiro dispositivo da ASUS  a receber a ZenUI 3.5, uma atualização na interface de usuário da empresa já presente no Zenfone 3, mas com a adição de novos recursos, além da remoção de atalhos da interface.

Na Galeria, foi adicionado o suporte ao RAW, otimizando o uso nos Zenfone 3 Zoom, mesmo com a captura disponível apenas no Android 7.0.

Outro recurso adicionado à nova ZenUI é o ASUS ZenFit, para monitoramento de sono, batimentos cardíacos, acompanhamento de passos e sincronização com o Google Fit.

O teclado da ASUS também recebeu novas melhorias:

E ainda há o método de compartilhamento de senhas de WiFi (!) por meio de QR Code. É a primeira vez que uso, e ainda não me acostumei.

Além disso, os Temas da ZenUI foram finalmente otimizados para displays AMOLED, usando cores mais vívidas e ainda a possibilidade de usar slides na tela de bloqueio.

Câmera 

Aqui temos um ponto de extremos. Se ela é boa? Sim. Superior à do Zenfone 3 e chega próxima a do Galaxy S7, com características favoráveis e outras, não.

Em Hardware, a câmera conta com dois sensores traseiros com 12 megapixels cada, sendo um deles o Sony Exmor IMX-362, com pixels de 1,4μ de diâmetro, abertura de f/1.7, com lente grande angular e tecnologia ASUS SuperPixel. O segundo, possui outro sensor de 12 megapixels, de abertura f/2.3, com distância focal de 59mm, o que equivale a um zoom ótico de 2,3x. Sem contar que ainda temos um zoom digital que pode chegar a 12x, associando ambas as lentes. Para otimizar o uso, a ASUS ainda acrescentou foco laser, módulo de correção de cores e flash dual-LED. Para completar o pacote, o Zenfone 3 Zoom conta com estabilização ótica e eletrônica para imagens e uma câmera frontal de 13 megapixels. O resultado de tudo isso é possível encontrar aqui:

Zenfone 3 Zoom - teste de câmera I

Para o Zoom, o resultado é esse:

Zenfone 3 Zoom - Amostras de Zoom
E aqui vou deixar de lado as especificações técnicas da câmera para que compreendam o motivo de afirmar isso. O Galaxy S7, particularmente, por mais que seja meu smartphone principal desde maio do ano passado (vai fazer um ano, já!) me incomoda em algumas características de sua câmera. Em modo automático, ele tende a aplicar o HDR sobre a imagem mais clara, estourando a imagem contra a luz ou aplicar o broken. Além disso, o S7 sempre penderá para cores mais quentes (amareladas) em pouca luz, como vocês podem ver nos exemplos abaixo comparando os dois dispositivos.

Galaxy S7
Zenfone 3 Zoom

 

Já o Zoom tem pontos importantes a serem corrigidos: fotos em pouca luz tendem a ser levemente subexpostas, buscando garantir os detalhes da imagem com mais luz e perdendo detalhes nas imagens. Em vídeo, isso também se repete, mas com uma subexposição ainda maior (considerando o modo automático), além de uma super saturação dependendo do tipo de iluminação, o que é incomum, inclusive, como pode ser visto na imagem acima.

Estes pontos no Zoom, inclusive, serão corrigidos em updates futuros, segundo o próprio Marcel Campos, Head de Marketing para América Latina e Índia. Futuramente, o aparelho contará também com suporte a RAW e modo retrato (disponíveis no Android Nougat).

Curiosidade: No modo automático, o Zenfone 3 Zoom nem sempre utiliza o Zoom ótico. TUDO DEPENDE DAS CONDIÇÕES DE LUZ DO AMBIENTE. Caso o ambiente seja de pouca luz, o smartphone faz a medição usando a lente teleobjetiva, mas captura a imagem com abertura f/1.7, usando o sensor principal e Zoom Digital. Para controle total de qual sensor usar, há um botão específico no modo manual.

Bateria

Nas especificações, temos um aparelho com uma das maiores baterias do mercado. São 5000mAh, uma das maiores baterias do mercado brasileiro, equiparando-se apenas ao Galaxy A9, da Samsung.

Em minha rotina, o smartphone é o meu principal mecanismo de trabalho. Saio pouco antes das 5h da manhã de casa, com o celular com a bateria completa e chego em casa todos os dias por volta das 22h, depois de dois expedientes e uma série de aulas na faculdade, usando em 80% desse período internet por dados móveis, ligações, dois dispositivos bluetooth pareados (meu Gear S2 Classic Premium e ao menos um fone bluetooth) e ainda fazendo transmissões ao vivo.

Para aguentar, sempre levei comigo ao menos duas Powerbanks (Uma com 10000mAh e outra, de carregamento rápido, com 3700mAh). Com o uso do Galaxy S7, normalmente, carregava a bateria de 10000mAh uma vez por dia, pois o carregava cerca de duas vezes ao dia, depois de cerca de 5h de tela. Já com o Zenfone 3, da ASUS, após 7h30 de tela, em média, normalmente usava a bateria de 3700mAh, apenas para completar o uso.

No Zenfone 3 Zoom, 5000mAh, consegui cerca de 13h de tela. é quase o dobro do que consigo, em média, com o uso do Zenfone 3. E ainda chego em casa com cerca de 15% de bateria. Com usuários menos intensos, o aparelho deve chegar, sem problema algum, a 2 ou até mesmo 3 dias de uso contínuo, sem precisar de uma tomada.

  • Mas, por que diabos citei que usava powerbanks?

Com 5000mAh, dá para se fazer mais do que apenas usar por dois dias. Com o Zenfone 3 Zoom você pode emprestar uma carga ao celular de um amigo – um Galaxy S7 ou até um iPhone. E não é difícil. Basta plugar o cabo OTG (que já está incluso) ao Zenfone 3 Zoom e conectar o cabo do outro aparelho.

Esse não é o primeiro aparelho da ASUS com o recurso (está presente também no Zenfone 3 Max). Mas é o primeiro intermediário premium da empresa com o recurso.

Conclusão

Quem usou qualquer dispositivo Android da Asus em qualquer uma de suas gerações no país – desde o Zenfone 5 e 6, em 2014 ou Zenfone 2, em 2015, até o Zenfone 3, em 2016 – percebe a evolução da empresa com relação à construção e recursos associados à ZenUI.

Com relação ao Zenfone Zoom original, senti falta da pegada (mais firme) e do botão dedicado para câmera, tanto para fotografia quanto para vídeo. Em compensação, a duração da bateria e o design mais sóbrio o torna mais “amigável” ao consumidor.

A presença do Android 6.0.1 Marshmallow, ao invés do Android 7.X Nougat também teve seus motivos. O objetivo da ASUS é entregar um aparelho com software completo em breve, com um grande update para o Nougat.

Disponível inicialmente na cor preta e com opções prata e rosas lançadas posteriormente, o Zenfone 3 Zoom deve agradar a maior parte do usuários. Com preço inicial de R$1899, no modelo com 3GB de RAM e 32GB internos, a ASUS dá ao consumidor duas propostas diferentes na mesma faixa de preço, pois o Zenfone 3 5.5 com 64GB custa exatamente o mesmo valor. Se preferir mais bateria e acabamento metálico, além de câmeras melhores, a opção mais sensata é o Zenfone 3 Zoom. Se preferir armazenamento, ela te dá duas opções: investir um pouco mais no Zenfone 3 Zoom com 64GB (R$2199) ou 128GB (R$2499), ou claro, levar um Zenfone 3 com 64GB.

Zenfone 3 e Zenfone 3 Zoom